domingo, 19 de agosto de 2012

Uma incursão aos ideais da Frelimo e aos bussiness do clã Chipande - 2


Uma incursão aos ideais da Frelimo e aos bussiness do clã Chipande

“Consolidação contínua da independência nacional, da ordem democrática popular e a construção do socialismo” - Objecto social do Partido Frelimo

(Maputo) O general na reserva, Joaquim Alberto Chipande, que a semelhança dos seus – 11 – “camaradas” do núcleo duro, foi, no dia 19 de Agosto de 1991, celebrar em cartório notarial a Frelimo como partido político à luz da Constituição da República de 1990, também está mergulhando em vastos interesses empresariais.

Na ordem dos subscritores dos Estatutos da Frelimo, onde em primeiro plano aparece Joaquim Chissano – então presidente do partido – Chipande segue a Marcelino dos Santos, figura de quem não encontramos, ainda, empreendimentos no mundo “Capitalista”.

A distancia que vai entre a data em que também assumiu a Frelimo na “construção do socialismo”, e os negócios que implantou, pode se concluir que o general Chipande não perdeu a boleia do “Capitalismo” outrora combatido por aquele partido.

O refrão “Somos soldados do povo marchando em frente/ na luta contra a burguesia/ Sempre avante unidos venceremos/ Socialismo triunfará ”, outrora professado como dogma, parece ter sido atirado para o cacifo das gargalhadas dos “camaradas”.

O “capitalismo triunfou”.
O homem do “primeiro tiro”

Joaquim Alberto Chipande, sócio ideológico dos seus pares, e parente de alguns em negócios de fazer inveja a qualquer empresário, é tido pela história oficial como a figura que deu o “histórico” “primeiro tiro” às 21 horas do dia 25 de Setembro de 1964, no posto de Chai, Cabo Delgado, dando inicio a insurreição armada contra o colono invasor e “capitalista” português.

Testemunha do «Massacre de Mueda», segundo relatos pungentes do próprio que abundam em manuais escolares, foi conterrâneo do “reaccionário” Lazáro Nkavandame, a quem também chamavam “Mzee”, o mesmo que mais velho.

Nkavandame, que viria a ter sorte de contemporâneos seus decidirem pelo seu fuzilamento, é descrito – nos manuais escolares do ensino primário em uso, (os mesmos que dizem que Eduardo Mondlane morreu na sede dos escritórios da Frelimo em Dar-Es-Salam, quando na verdade foi em casa de praia da americana Betty king) (ver Sffv canal Nº1) – como defensor da propriedade privada, ao contrário daquilo que a Frelimo apregoava: Tudo do povo e para o povo.

Isso foi naquele tempo.

E o “capitalista” “Mzee”, por ter tido sonhos descontextualizados, além do epíteto de “reaccionário” ou “contra-revolucionário” foi fuzilado, pelo que consta, na mesma leva do reverendo Uria Simango, Padre Mateus Gwengere, Joana Simião, entre outros. Muitos.

Para conforto de Chipande, o “primeiro tiro” lhe pertence, ainda.
Os bussiness dos Chipande

Tal como Joaquim Chissano, Alberto Chipande além de “sócios” na Frelimo, também esta, com este e outros, envolvido no «Programa de Promoção de Veteranos de Moçambique», uma associação que se dedica na “inserção na vida civil de antigos combatentes, incluindo os que estiveram activamente no exército entre 07 de Setembro de 1974 a 04 de Outubro de 1992”.

Bonifácio Gruveta Massamba, João Américo Mpfumo e Hélder Muteia são outros sócios de Chipande nesta associação, aparentemente de carácter humanitário.

Quatro anos após assumir em publicação oficial do Estado Moçambicano – Boletim da República (BR) – “a construção do socialismo”, em 1995, o general na reserva entra pela porta grande no então estranho, e proibido mundo de um «monstro» que chamavam de “Capitalismo” tido como produto do “Imperialismo”.

No dia 03 de Agosto desse ano, associava-se a «Newpalm Internacional, limitada» e constituiriam as «Madeiras Rovuma, Limitada» com um capital inicial de 10.000.000, 00 MT, actuais 10.000,00 MTn.

O objecto social da «Madeiras Rovuma» é, entre outros o “comercio geral, compreendendo a importação, exportação, comissões e consignações...”.

Uma vez mais, no ano seguinte, associado a «Newpalm Internacional, Limitada» e a um “camarada” seu, Mateus Kathupa, constituem a «CADELMAR-Mármores de Cabo Delagado, Limitada», empresa que curiosamente, tal como a «Madeiras Rovuma», tem também como objecto social, “comércio geral, compreendendo a importação, exportação, comissões...”. O capital social, também foi o mesmo que o da empresa anterior: 10.000,000 MT, actuais 10.000, 00 MTn.

No dia 06 de Maio do ano de 1996, o general na reserva Joaquim Chipande constitui com Raimundo Maico Diomba (actual governador de Manica) e Isabel Maria Verde a «ROMOCA – Rovuma Madeiras de Cabo Delgado, limitada».

60.000.000,00 MT (actuais 60.000,00 MTn) foi o capital inicial da «ROMACA» que tem como objecto social, o “abate e transformação de madeira com vista à comercialização nos mercados externo e interno”.

Como informação adicional publicitada nesse BR de 14 de Agosto de 1996, na introdução também aparecem como sócios os cidadãos José Carlos Verde Bráz e Guilhermino Gouzalez Teixeira.

Ainda em 1996, Chipande se junta a «Moçambique Holdings, Limitada» e formam a «Agro-Indústria de Cabo Delgado, Limitada». Para a época o capital social é de deixar boquiaberto a qualquer um: Apenas 3.000.000.000,00 MT, ou seja, actuais 3.000.000,00 MTn).

O objecto social desta empresa é, entre outros, o “Desenvolvimento da indústria de exploração do capim, comercialização e desenvolvimento da cultura do caju”.

Depois de um interregno de três anos, conforme apurou a investigação do «Canal de Moçambique», o general Chipande volta às sociedades, em 1999. Desta feita na área dos transportes, formando, a par de Carlos Adolfo Capellato o «Grupo Mecula, Limitada».

Esta empresa que tem como objecto social “Transporte de mercadorias; Turismo; Distribuição de combustíveis...” tem como capital social 2.400.000,00 MT, actuas 2.400,00 MTn..

No ano seguinte, o general Chipande e primeiro ministro da Defesa no primeiro governo de Moçambique, associa-se a Valige Tauabo e constituem a «CIST, LDA - Consultoria, Imobiliária, Investimento, Serviços e Turismo», tendo como capital social a módica quantia de 1.565.000,00 MT, ou seja actuais 1.565,00 MTn. O objecto social desta empresa é “desenvolver consultorias em áreas de auditoria, gestão, marketing, construção civil...”.

O filho também nos negócios

O seu filho Nkutema Namoto Chipande, aparece também como empresário, muito antes do pai. Em 1992, ou seja, um ano depois do pai assumir com o “núcleo duro” da Frelimo, entre outros “a construção do socialismo”, o filho dava o primeiro passo.

Das nossas investigações Nkutema Namoto Chipande, actual vice-presidente da Federação Moçambicana de Boxe, constituiu, com Hortência Cornélio João Chipande, a «Rovuma Transportes, Limitada». Esta empresa tem como objecto social a “assistência técnica a viaturas da marca «TATA» em Pemba e Lichinga; aprovisionamento de peças sobressalente...” entre outros. O capital social, declarado e publicitado em BR – no dia 9 de Novembro – um mês depois do «Acordo Geral de Paz» foi de 100.000.000,00 MT, actuais 100.000,00 MTn.

Diferentemente dos filhos de Chissano, Namoto como é tratado pelos mais próximos, parece não ter propensão para se juntar a várias sociedades, apesar de permitido por lei.

Quem sabe se o aguardado 9º Congresso dos “camaradas” define de uma vez por todas que ideologia final deve professar o partido com sede na rua Pereira do Lago (nome de um antigo governador colonial).

(Luís Nhachote)

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