quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ataque com armas químicas foi "trabalho grosseiro" da oposição síria

A Rússia declarou que, de acordo com informações de que dispõe, as armas químicas foram usadas (no dia 21 de agosto) pelos combatentes da oposição e não pelo regime de Bashar al-Assad. As acusações de que são alvo as tropas governamentais se baseiam em informações não confirmadas e a campanha agressiva da mídia regional e ocidental só confirma que se trata de "uma provocação planejada com antecedência", diz um comunicado especial do MRE russo. Não é a primeira vez que ocorrem provocações deste género.
É verdade que os combates continuam nos arredores a leste de Damasco, mas, segundo puderam verificar os diplomatas russos, o panorama dos acontecimentos apresentado deturpa completamente a situação.
"A verificação da credibilidade das reportagens das cadeias televisivas regionais", diz o comunicado do MRE, demonstrou o seguinte: "Ao princípio da manhã de 21 de agosto, esse bairro foi alvo, a partir das posições ocupadas pelos combatentes da oposição, do lançamento de um míssil de fabrico artesanal, idêntico ao que foi usado pelos terroristas no dia 19 de março do corrente ano em Khan al-Assal (perto de Aleppo), com uma substância química tóxica ainda por determinar."

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Grande Hotel, Beira. A piscina


Moçambique, boatos e mitos urbanos, e a tragédia. O linchamento do artista Alexandria


Já foi o 'Guiguisseca' dos anos '70 que aterrorizava Lourenço Marques. O 'Chupa-Sangue', depois, nos anos '80 e '90, e as redes de tráfico de orgãos. Entre a neblina e a teia de boatos e mitos urbanos, onde a verdade e o imaginário se misturam, chega esta nova onda dos 'engomadores' e 'engomados', falam em grupos que andam com ferros de engomar já aquecidos a marcar - a passar a ferro! - as suas vítimas.

Triturado nesta betoneira social e de grupos de vigilantes que se organizam para caçar os 'engomadores', o artista plástico Alexandria, também ele vigilante noutro grupo, foi linchado por populares agrupados noutro grupo de vigilância...

Transcreve-se do blog http://oficinadesociologia.blogspot.pt/

Segundo o "@Verdade" e uma fonte da "Rádio Moçambique" com quem contactei há momentos, foi sábado linchado na Matola o conhecido e renomado escultor Alexe Simões Ferreira (Alexandria), confundido com um malfeitor do "G20". Aqui. Confira também aqui aqui. Sobre o que se passa nos bairros periurbanos, aqui.
Comentário: uma tragédia sem fim. Paz à sua alma.
Adenda às 17:30: falarei um pouco disso mais logo, no jornal das 19:30 da "Rádio Moçambique".
Adenda 2 às 19:06: assassinado por membros de um grupo de patrulha, Alexandria fazia parte de outro grupo do mesmo género que fôra pedir auxílio a uma esquadra policial. Aqui.

Read more: http://oficinadesociologia.blogspot.pt/#ixzz2bwzuBODy



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O SWIFT e o mundo sob a vigilância do governo dos EUA e da banca



O mundo financeiro como sistema de informação 

O mundo contemporâneo das finanças é sobretudo acerca da informação, os dados sobre clientes de bancos, companhias de seguros, pensões e investimentos, bem como outras entidades que tratam de negócios financeiros, devem ser recolhidos, armazenados, processados e utilizados. As várias peças e informações esparsas de diferentes fontes são reunidas. No caso de indivíduos tudo se reduz a dinheiro, propriedade, trabalho, saúde, parentes e condições de vida. No caso de entidades legais a esfera de interesse abrange fundos e acordos de negócios, historial de crédito, investimentos planeados, principais líderes, accionistas e administradores, contratos, fundos de capital de companhias, etc. 

Estas são as coisas para as quais os bancos e outros agentes financeiros têm os seus próprios serviços. Além disso, as estruturas de informação incluem gabinetes de crédito, agências de classificação e informação especial. Alguns bancos ou firmas podem criar centrais (pools) de informação que armazenam a informação sobre clientes. Bancos centrais tornaram-se poderosas agências de informação, os quais executam funções de supervisão bancária, aproveitam o acesso praticamente ilimitado aos dados dos bancos comerciais. Além disso, alguns bancos centrais reúnem informação por sua própria iniciativa. 

O Banco da França, por exemplo, monitora empresas manufactureiras sob o pretexto da necessidade de aperfeiçoar sua política de crédito. Fluxos portentosos de informação financeira e comercial passam através de terminais de pagamentos, os quais são constituídos por sistemas de telecomunicações que transmitem dados. Sistemas de informação separados, mas estreitamente entrelaçados e inter-actuantes, fiscalizam vastas quantidades de fluxos de informação. 

O grosso dos bancos e companhias financeiras opera seus próprios serviços de segurança. Formalmente sua missão é proteger a informação, a qual é propriedade das empresas. Não oficialmente muitos serviços obtêm informação adicional acerca de clientes e rivais. Naturalmente isso pressupõe que efectuem actividades encobertas utilizando equipamento técnicos especial e inteligência humana (HUMINT). 

A informação recolhida é confidencial e exige procedimentos legais para a ela ter acesso. O facto de adquirirem informação confidencial e desfrutarem de independência significativa do estado traz os bancos mais perto de serviços secretos. Realmente, a cúpula da vigilância global da informação é operada em conjunto por bancos e serviços especiais. De facto, a fusão orgânica dos serviços especiais ocidentais e do sector financeiro e bancário aconteceu resultando num sombrio Leviatã gigante com vastos recursos financeiros e de informação para controlar todos os aspectos da vida humana. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A China com passos de gigante no mercado de armamentos


in A China no mercado de armamentos - Notícias - Economia - Voz da Rússia
Entre os peritos militares a China foi durante muito tempo considerada exclusivamente como um país importador. É verdade que Pequim tinha tido uma breve experiência de exportações quando, nos anos 80, forneceu ao Iraque e ao Irã, que estavam em guerra, modelos soviéticos antigos de armas ligeiras e material pesado. Mas isso não podia ser considerado como exportações militares da China.
O salto qualitativo ocorreu há pouco tempo. Segundo o Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (SIPRI), em 2012, a China entrou inesperadamente no grupo dos líderes de exportações com vendas de 8,3 biliões de dólares, tendo ultrapassado o Reino Unido. Os números e os fatos foram verificados por outros centros e peritos. Tudo bateu certo, e não se tratava da revenda de armamento russo. A China, permanecendo como um dos grandes consumidores, se transformou simultaneamente num grande fornecedor de armamento e material. Como foi isso possível?

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Inversão da espada - por César Príncipe

Portugal, em mais de oito séculos, atravessou agudas crises de identidade nacional e de consolidação da independência. Três ciclos marcam o Livro Negro da Nacionalidade. Os dois primeiros têm calendário definido: 1383-1385/1580-1640. O terceiro iniciou-se em 2011. Portugal voltou a ficar intervencionado, manietado, tutelado. Desta vez, o inimigo dispensou o constrangimento da ocupação militar: recorreu à arma monetária. Nos períodos de sujeição aos ditames e vexames de Castela, coube às arraias miúdas e a certos elementos da nobreza e da burguesia levantar do chão o projecto nacional. Em textos subscritos nos últimos dois anos, tenho refocado as figuras do conde Andeiro, do bispo Martinho, do Mestre de Avis, do poboo meudo , episódios do cerco de Lisboa: a revolução de quatrocentos. Nesse regresso ao passado, tracei um paralelismo com a actual transferência dos centros de decisão, a quebra de soberania, o nosso status de protectorado, a nossa condição de garroteados pelo défice, pela dívida, pela penúria. Na continuação do relançamento deste olhar pela história, evocarei hoje um dos sustentáculos de Castela em Portugal no séc. XVII: a Casa dos Marqueses de Vila Real, progénie liderante da Corte de Trás-os-Montes. [1] Durante os preparativos da Restauração, houve quem pretendesse cortar pela raiz a árvore genealógica da Casa Grande, que urdira estreitos e fundos laços familiares e patrimoniais com o abocanhador peninsular e mantinha uma rede de cúmplices que, sediada em Vila Real, contava com personagens de relevo e influência, sobretudo a partir de Coimbra. No entanto, as emergências conspirativas e a pragmática conciliatória pouparam, na arrancada de 1640, este núcleo duro do filipismo. 

Vindicta cazpirreana 

No entanto, as afrontas desta ala vinham do séc. XIV. Então, João Afonso Telo de Meneses (c. 1330-1384), conde de Viana do Alentejo, empreendeu uma surtida em Penela, que lhe custou a cabeça na escaramuça com os aldeões: … o Conde de Viana, quando el Rei dom Fernando morreu, tomou logo voz por Castela e recebendo soldo de el Rei quando veio cercar Lisboa; e tendo-a assim por ele, saiu fora do lugar para tomar mantimentos contra vontade de seus donos, como os seus haviam em costume, e levando consigo uns quarenta de cavalo, sem outros peões nem besteiros, juntaram-se contra ele os das aldeias e comarca de arredor para lhos defender, todos pé terra; e embrulharam-se eles com eles, arremessaram-lhe o cavalo e caiu com ele em terra; e foi um vilão rijamente, que chamavam de alcunha Cazpirre, e cortou-lhe a cabeça e assim morreu; e os seus como o viram morto fugiram todos e os da vila tomaram voz por Portugal e assim a tinham então. [2]