segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A ANTIGA LOURENÇO MARQUES / LA OTRORA LOURENÇO MARQUES

Renomeado em 1976 como Maputo, agora é a capital e a maior cidade de Moçambique, assim como o principal centro financeiro, empresarial e comercial do país. Mas isso não foi sempre assim. Descubra como foi em 1929, com uma impressionante seqüência fotográfica em preto e branco. Leia mais da sua história em nosso site: www.lusitaniedades.com

AMOR entre GUERRAS. Romance. Lourenço Marques, 1916, durante a 1ª guerra mundial

Livro: AMOR entre GUERRAS é um romance histórico passado durante a Primeira Guerra Mundial e em Lourenço Marques nas décadas de 20 e 30. Conta a história de um Tenente Médico portuence do Corpo Expedicionário Português que se apaixona por uma jovem francesa rebelde.

domingo, 28 de setembro de 2014

Kenya - Security changes mark a sombre anniversary

A year after the Westgate Mall siege, President Kenyatta is reorganising the security services as Somali and local jihadists continue their attacks

The wide-ranging calls for a full inquiry into the handling of the attack by Al Haraka al Shabaab al Mujahideen on the Westgate Shopping Mall a year ago have been met with a confusing silence. Amid claims of debilitating inter-service rivalries, unheeded intelligence warnings and crass criminality by security officers, the public's concerns have been left unanswered (AC Vol 54 No 20, Shockwaves after the shoot-out). The government flatly rejected the idea of a public enquiry, like the National Commission on Terrorist Attacks Upon the United States (9/11 Commission). Nor, we hear, has it launched a far-reaching  internal investigation of what went wrong and why.

Just as disturbing is the deteriorating political climate. At the height of the Westgate siege, in which 67 people died, President Uhuru Kenyatta's appeal to national unity, regardless of ethnicity or religious faith, had great resonance with the people. Since then, Kenya's searing political and ethnic divisions have resurfaced and are undermining efforts to improve security and popular support for the security agencies.

During the past few months, Kenyatta has pressed ahead with restructuring the security services, which will give the armed forces more power and influence over domestic policy. Out of these changes, the Kenya Defence Forces Chief, General Julius Karangi, has become the dominant figure in the security system. He is due to retire in 2015. There are no plans to have him go quietly. In April, Senator Kithure Kindiki, a lawyer previously linked to the reformist camp and now a fast-rising Jubilee legislator, introduced the National Emergency Security Bill. Its main thrust is to create an agency on US Homeland Security lines, directly answerable to the President (AC Vol 51 No 24, Ruto takes on the courts). Many insiders say Karangi will head that new body and few believe that he will retire next year.

Last December, there was a clear signal that the military would be far more involved in domestic counter-terrorism and fighting crime: Cabinet Secretary for Defence Raychelle Awour Omamo issued a gazette notice announcing the creation of a Nairobi Metropolitan Brigade, in addition to the KDF's Eastern and Western brigades. There has been no announcement yet about who will run the NMB but it will be an important extension of Karangi's remit (AC Vol 54 No 25, Counter-terrorism force under attack).

Extending military clout
Another sign that some politicians are pushing to extend the military's clout in domestic affairs was the attempt last month to amend the Kenya Defence Forces Act to allow the KDF to deploy troops internally without the authority of Parliament. The bill was introduced in Parliament by Majority Leader Aden Duale, a loud cheerleader for the governing Kenyatta-William Ruto coalition, known as UhuRuto. However, it was withdrawn after a  public furore. Some members of parliament, however, think the matter is unlikely to end there.

For now, it seems, Gen. Karangi has emerged as the power behind a civilian government that wants to use the military to plug the holes in its domestic security system. Yet the government has been unable to produce a comprehensive response to the terrorist threat posed by Al Shabaab, as well as suspected copycat lower-level attacks in urban areas. After lengthy consideration of demands for the dismissal of high-ranking security staff, the President acted in August. In the first major reshuffle of his 17 months in office, Kenyatta announced the resignation of the Director of the National Security Intelligence Service, Major Gen. Michael Gichangi, and demoted Interior Ministry Principal Secretary Mutea Iringo, replacing him with the former Ambassador to the African Union, Monica Kathina Juma. Also shown the door were Nancy Gitau, Kenyatta's Political Advisor, and Jane Waikenda, who was briefly Director of Immigration, a department long seen as a weak point for would-be insurgents who could bribe their way into the country.

Voz da África Livre - abertura da estação


sábado, 27 de setembro de 2014

Memórias do 7 de Setembro de 1974. 'Os tempos do fim'. De Walter D. Gameiro

MOÇAMBIQUE - OS TEMPOS DO FIM.  1974 / 1975

1. UM POUCO ANTES DO SETE DE SETEMBRO. OS AUMENTOS DE 100%

Viviam-se tempos de mudanca que eram novidade para todos. Em Mocambique as pessoas trabalhavam bastante, e as horas vagas eram mais dedicadas ao desporto do que ao estudo da politica, que era deixada aos politicos. Por alguna razao solida Mocambique teve sempre um PIB bastante superior ‘a Metropole.

Eu acabava de cegar de Inhambane onde lancara o cabo submarino que iria dar electricidade ‘a Maxixe, do outro lado da baia a partir da nova central Geradora de Inhambane. Ao chegar ‘a empresa dei com uma reuniao de gente perplexa, sem saber como reagir a um fenomeno novo chamado “Greve”. Greve em Lourenco Marques em 1974? Exacto. Sem sindicatos, sem representanes da CGTP nem nada? Exacto. Meti o nariz na mesa redonda em busca da solucao. Ouvi e ri-me abertamente. E com a voz propria de quem 28 anos e “sabe tudo” , clamei alto e com bom som, que so’ quem nao leu os fenómenos grevistas da Europa podia estar perplexo. Descrevi o “modus faciendi” da negociacao salarial standard e conclui … “e’ facil”!

Cerca de 30 segundos depois era nomeado por unanimidade, para ir ‘as oficinas da Av de Angola, resolver o problema. A maior parte dessas pessoas trabalhando naquelas oficinas nao tinha menor ideia de quem eu era com excepcao dalguns capataces. Havia 270 operarios em greve, exigindo um aumento de 100%.

Fiquei – confesso – bastante surpreendido com a rapidez com que fui, um miudo de 28 anos, nomeado para tal tarefa. Entendi-a como um desafio e fiz uma unica exigencia ao Gerente geral Joaquim Pereira Soares, um homem muito ponderado nas suas decisoes. “Eu vou la’, mas com uma condicao. O que eu prometer, esta’ prometido e sera’ lei!”. Recebi de volta um olhar de inquietude e uma so’ frase. “Pois sim, mas cuidado com o que for prometido, pois podemos deitar a empresa abaixo”. Assegurei que tinha a nocao exacta do risco e sem mais, meti-me no carro e fui ‘a Avenida de Angola. Cheguei por volta do meio dia, hora de almoco e portanto com todo o pessoal parado e a comer das suas cestas de vime ou de cartuchos de papel caqui. Expliquei aos capatazes e director das oficinas que estava incumbido de falar com o pessoal. Pedi um quadro negro e giz para poder escrever.

Ajudaram-me a arrastar uma bancada de aco, para o meio de uma das oficinas e pedi que fizessem uma roda ‘a volta da bancada, que eu queria falar a todos. Naquele grupo havia um amigo negro que tinha sido meu cabo durante o servico militar donde eu tinha acabado ser desmobilizado em Fevereiro de 1974. estariamos em Abril ou Maio. Perguntei-lhe donde vinha a nocao de 100% ao que me respondeu “Foi um passarinho que nos disse”.

Subi para a bancada e comecei a falar da vontade que havia em resolver o diferendo e que estava la’ a mando da gerencia com poderes de decisao. Comecei a perguntar interpelando directa e individualmente “Quanto ganha? Quanto e’ um aumento de 100%?. Quanto quer ganhar? “ “Nao sei”, foi a desposta geral da totalidade dos interpelados. Peguei no quadro e expliquei como se faziam os precos para um trabalho, mostréi um valor para cobrir as materias primas, despesas de edificio, viaturas, ferramentas e mao de obra. Como na epoca ainda se tratava de uma oficina de mao de obra intensiva, ficou claro que a parcela maior era para mao de obra. Depois expliquei o que significava um aumento de 100%. Finalmente dobrei o valor de mao de obra no “orcamento” de obra que explicava e mostréi que o valor da venda era inferior ao novo custo. Explicado o conceito, sem posturas de superioridade alguma, pedi a opiniao dos mais velhos sobre o assunto e na sequencia passamos a discutir que aumento seria justo na opiniao deles, posto que os trabalhos que estavam em curso ja’ estavam vendidos e nao se podia mudar o valor da venda aos clientes. 

domingo, 14 de setembro de 2014

Xiconhoca 2014

A partir de um livro compilado em meados deste ano na Venezuela a partir dos cartoons originais do Xiconhoca, dos tempos revolucionários pós-independência.



 O que é O XICONHOCA?

O Departamento de Informação e Propaganda da FRELIMO criou em 1976, uma caricatura a que chamou XICONHOCA. Esta caricatura representa todo e qualquer inimigo interno (ideológico). Xiconhoca é uma palavra composta de dois nomes: Xico e Nhoca: O primeiro nome vem de Xico-Feio, um indivíduo que pertenceu à PIDE-DGS. Nhoca, em quase todos os dialectos do País, significa cobra. Bem sabemos qual é o modo de vida de uma cobra e os truques que usa quando quer atacar uma pessoa.

O Departamento de Informação e Propaganda achou necessário criar uma figura que representasse o nosso inimigo interno. Essa figura é o Xiconhoca.
Assim o Xiconhoca representa tudo aquilo que nós combatemos. Podemos dizer que ele tem uma boca de bêbado, uma orelha de boateiro, mãos de açambarcador e de especulador, olhos de racista, nariz de tribalista, dentes de regionalista, pés de confusionista. O Xiconhoca é uma figura que representa todos estes males deixados pelo colonialismo, e que o Povo moçambicano está a combater.

Xiconhocas são aqueles indivíduos que conduzem viaturas quando se encontram bêbados, originando graves acidentes; é o parasita que se recusa a trabalhar, a participar na produção colectiva.
Existem, no entanto, muitas pessoas que usam a palavra Xiconhoca por uma simples brincadeira. Tenho amigos que também tem esse hábito, num sentido de piada a gente chama xiconhoca ou xiconhoquices qualquer atitude admirável.
A população deve estar consciente que o Xiconhoca é um inimigo do Povo, é um indivíduo que tem o mesmo modo de vida do inimigo, do reaccionário, do inimigo da independência e soberania moçambicanas, é todo o indisciplinado, o corrupto, os bandidos, assassinos, ladrões, divisionistas, regionalistas, racistas, etc.




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

“Branqueamento” de diamantes angolanos via Dubai enriqueceu elites e “pagou” derrota da UNITA

por Guilherme Dias em Feb 4, 2014 in Lusomonitor



O Dubai funcionou nos anos 1990 como um centro de “branqueamento” da origem dos diamantes angolanos, que pagaram o esforço de guerra que derrotou a UNITA, segundo investigação publicada no World Policy Journal. Os jornalistas Khadija Sharife e John Grobler afirmam que no processo colaboraram o presidente e membros da elite angolana, que lucraram muitos milhões de dólares, tal como os negociantes de armas.

A investigação de Sharife e Grobler baseia-se em grande parte em dados recolhidos pelas autoridades europeias e norte-americanas, e algumas denúncias junto destas. O foco foi a comercializadora de diamantes Omega Diamonds, baseada na Bélgica, multada em quase 200 milhões pela União Europeia em 2013.

Cerca de 3,5 mil milhões de dólares de lucros do comércio de diamantes “simplesmente desapareceram” entre 2001 e 2008, segundo os investigadores belgas. Os jornalistas afirmam que as autoridades do Dubai “deliberadamente fecharam os olhos a práticas empresariais de evasão fiscal e sub-facturação – preferindo o termo optimização fiscal”. Mais ainda, a liderança do Dubai Multi-Commodities Center “parece ter ativamente bloqueado” o trabalho judicial.

Os lucros resultavam de um esquema simples, mas eficaz: a Omega comprava diamantes por “pouco ou nenhum dinheiro” em Angola e outros países africanos. Enviava-os para o Dubai, onde o sigilo legal e financeiro é garantido. Aqui eram misturados com pedras de outra origem e certificados como sendo de “origem mista”, segundo as regras do processo de Kimberley, que visava impedir diamantes de países em conflito de entrar no mercado.

Entrando no “sistema”, o seu valor multiplicava-se. O destino final das pedras era Antuérpia, onde eram vendidas. “O dinheiro arrecadado com estas vendas financiaria as contas bancárias pessoais da Omega e de muitas personagens corruptas que usavam no seu esquema tri-continental”, refere o artigo no World Policy Journal.


A “colaboração” ativa da elite angolana

A ascensão do Dubai ao grupo das capitais dos diamantes está diretamente relacionado com a guerra civil angolana. Segundo a investigação, em 1992, quando grande parte do país estava sob controlo da UNITA, o presidente José Eduardo dos Santos lançou um esforço de rearmamento.

Recorreu aos serviços dos mercenários sul-africanos da Executive Outcomes e também a armamento pesado – helicópteros de ataque e tecnologia de localização. Para isso, ligou-se a negociantes de armas e diamantes russo-israelitas, como Sylvain Goldberg, Pierre Falcone, Arkadi Gaydamak e Lev Leviev.

Para um país pobre como Angola na década de 1990, pagamentos de centenas de milhões de dólares em divisas seriam difíceis de fazer . Com o dinheiro dos diamantes, tudo era mais fácil.


domingo, 19 de janeiro de 2014

China "conquista" África

Colagem: Voz da Rússia

Na última década, assistimos a uma atividade sem precedentes da China na África. A China afasta com êxito, ou mais precisamente, já afastou os britânicos, franceses e os portugueses dos países africanos.

Recentemente, uma revista saiu com uma capa sintomática: o continente africano todo coberto de vermelho com cinco estrelas da bandeira da China. Foi precisamente assim que a revista caraterizou a presença da China no continente africano.
O que leva a China a aumentar sua presença em África? O que dá a política chinesa ao continente e do que é que os africanos não gostam nela? Tentamos responder a essas perguntas juntamente com Tatiana Deich, cientista do Instituto da África da Academia das Ciências da Rússia.
O início do século XXI ficou marcado pela expansão econômica chinesa em África, sublinha a cientista russa. Os principais motivos da presença chinesa em África são controlar fontes de matérias-primas, encontrar esferas de investimento e novos mercados para escoar os artigos da sua indústria que se desenvolve impetuosamente:
"A China lutou sempre com Taiwan pela influência em África. E, no fim do século passado, uma série de países mantinham relações com Taiwan, outros, poucos, reforçavam as relações com a China. No início do novo século, a situação mudou bruscamente: 50 países de África mantêm relações com a China e apenas 4 países conservam laços com Taiwan. Depois de conseguir a independência, o Sudão do Sul reconheceu a China. E aí a ajuda que ia de Taiwan era incomparável com a que a China presta atualmente. A pequena Gâmbia foi o 51º país africano que estabeleceu laços e relações com a China. Restam apenas três países: Suazilândia, São Tomé e Príncipe e Burkina-Faso, que ainda não reconheceram a China e continuam a cooperar com Taiwan. Mas, ao mesmo tempo, a China há muito que tenta infiltrar-se em São Tomé e Príncipe e realiza isso com êxito. As ações chinesas já se afirmaram firmemente na economia desse país."
A atenção da China para com África é explicada também pelo crescente peso político na arena mundial. As relações com África são parte da estratégia de Pequim com vista a criar uma nova ordem mundial. A China necessita de apoio nas organizações internacionais. Precisa de aliados no confronto com os EUA, bem como na consecução do objetivo que se reflete na fórmula: “no mundo há apenas uma China e Taiwan é sua parte inseparável”.

América está sendo expulsa da região asiática do Pacífico


Foto: RIA Novosti

O domínio total dos EUA no oceano Pacífico está chegando ao fim. A China pretende abertamente à liderança, mas nem tudo é assim tão simples na região asiática do Pacífico.

“O nosso domínio histórico, que satisfaz a maioria dos aquí presentes, diminui claramente”, constatou recentemente o general de quatro estrelas Sam Locklear, chefe do Comando do Pacífico da Marinha de Guerra dos EUA. Segundo a revista americana Defense News, o almirante considerou que o poderio crescente da China é o fator fulcral que ameaça o domínio militar dos EUA. Ele assinalou também que a região asiática do Pacífico (RAP) regista uma militarização nunca vista, o que, juntamente com o reforço da China, viola o status-quo. Mas os EUA, segundo o almirante, devem dominar no oceano Pacífico e continuar a ser “mortalmente perigoso” para os inimigos.
Sem dúvida que a RAP, nos últimos anos, sofreu mudanças radicais no sentido do aumento alí do potencial militar de toda uma série de Estados. E a China desempenha o papel principal. Segundo o economista Alexei Maslov, há muito tempo que a China não esconde a intenção de aumentar o poderio militar, principalmente no mar. Do ponto de vista de Pequim, na RAP ocorrem processos praticamente incontrolados: a Coreia do Norte ameaça os vizinhos e os EUA com armas nucleares, o Japão incentiva um conflito com a China em torno de ilhas litigiosas, há divergências entre a China e o Taiwan sobre as Ilhas dos Pescadores.
Nessa situação, Pequim fala da necessidade do aparecimento de um moderador novo, eficaz da situação, porque os EUA não conseguem realizar essa tarefa, assinala Alexei Maslov:
“Os EUA, no fundo, perderam hoje essa região. Ou seja, resumindo, o lugar dos EUA na região é ocupado por outra potência, que, claro, irá realizar uma política asiática um tanto diferente. Penso que os EUA não conseguirão regressar a essa região sem dificuldades. Qualquer tentativa de aumento militar sério, incluindo a instalação de novas bases, a mudança do tipo de armamentos nessas bases, o envio de novas unidades da marinha para essa região, provocará imediatamente a agudização da situação”.