domingo, 19 de janeiro de 2014

China "conquista" África

Colagem: Voz da Rússia

Na última década, assistimos a uma atividade sem precedentes da China na África. A China afasta com êxito, ou mais precisamente, já afastou os britânicos, franceses e os portugueses dos países africanos.

Recentemente, uma revista saiu com uma capa sintomática: o continente africano todo coberto de vermelho com cinco estrelas da bandeira da China. Foi precisamente assim que a revista caraterizou a presença da China no continente africano.
O que leva a China a aumentar sua presença em África? O que dá a política chinesa ao continente e do que é que os africanos não gostam nela? Tentamos responder a essas perguntas juntamente com Tatiana Deich, cientista do Instituto da África da Academia das Ciências da Rússia.
O início do século XXI ficou marcado pela expansão econômica chinesa em África, sublinha a cientista russa. Os principais motivos da presença chinesa em África são controlar fontes de matérias-primas, encontrar esferas de investimento e novos mercados para escoar os artigos da sua indústria que se desenvolve impetuosamente:
"A China lutou sempre com Taiwan pela influência em África. E, no fim do século passado, uma série de países mantinham relações com Taiwan, outros, poucos, reforçavam as relações com a China. No início do novo século, a situação mudou bruscamente: 50 países de África mantêm relações com a China e apenas 4 países conservam laços com Taiwan. Depois de conseguir a independência, o Sudão do Sul reconheceu a China. E aí a ajuda que ia de Taiwan era incomparável com a que a China presta atualmente. A pequena Gâmbia foi o 51º país africano que estabeleceu laços e relações com a China. Restam apenas três países: Suazilândia, São Tomé e Príncipe e Burkina-Faso, que ainda não reconheceram a China e continuam a cooperar com Taiwan. Mas, ao mesmo tempo, a China há muito que tenta infiltrar-se em São Tomé e Príncipe e realiza isso com êxito. As ações chinesas já se afirmaram firmemente na economia desse país."
A atenção da China para com África é explicada também pelo crescente peso político na arena mundial. As relações com África são parte da estratégia de Pequim com vista a criar uma nova ordem mundial. A China necessita de apoio nas organizações internacionais. Precisa de aliados no confronto com os EUA, bem como na consecução do objetivo que se reflete na fórmula: “no mundo há apenas uma China e Taiwan é sua parte inseparável”.

América está sendo expulsa da região asiática do Pacífico


Foto: RIA Novosti

O domínio total dos EUA no oceano Pacífico está chegando ao fim. A China pretende abertamente à liderança, mas nem tudo é assim tão simples na região asiática do Pacífico.

“O nosso domínio histórico, que satisfaz a maioria dos aquí presentes, diminui claramente”, constatou recentemente o general de quatro estrelas Sam Locklear, chefe do Comando do Pacífico da Marinha de Guerra dos EUA. Segundo a revista americana Defense News, o almirante considerou que o poderio crescente da China é o fator fulcral que ameaça o domínio militar dos EUA. Ele assinalou também que a região asiática do Pacífico (RAP) regista uma militarização nunca vista, o que, juntamente com o reforço da China, viola o status-quo. Mas os EUA, segundo o almirante, devem dominar no oceano Pacífico e continuar a ser “mortalmente perigoso” para os inimigos.
Sem dúvida que a RAP, nos últimos anos, sofreu mudanças radicais no sentido do aumento alí do potencial militar de toda uma série de Estados. E a China desempenha o papel principal. Segundo o economista Alexei Maslov, há muito tempo que a China não esconde a intenção de aumentar o poderio militar, principalmente no mar. Do ponto de vista de Pequim, na RAP ocorrem processos praticamente incontrolados: a Coreia do Norte ameaça os vizinhos e os EUA com armas nucleares, o Japão incentiva um conflito com a China em torno de ilhas litigiosas, há divergências entre a China e o Taiwan sobre as Ilhas dos Pescadores.
Nessa situação, Pequim fala da necessidade do aparecimento de um moderador novo, eficaz da situação, porque os EUA não conseguem realizar essa tarefa, assinala Alexei Maslov:
“Os EUA, no fundo, perderam hoje essa região. Ou seja, resumindo, o lugar dos EUA na região é ocupado por outra potência, que, claro, irá realizar uma política asiática um tanto diferente. Penso que os EUA não conseguirão regressar a essa região sem dificuldades. Qualquer tentativa de aumento militar sério, incluindo a instalação de novas bases, a mudança do tipo de armamentos nessas bases, o envio de novas unidades da marinha para essa região, provocará imediatamente a agudização da situação”.